Artistas › Fernandinho Beat Box
Fernando da Silva Pereira, o Fernandinho Beat Box, é um dos mais reconhecidos e consagrados artistas do hip hop nacional. Sua especialidade, como o próprio nome artístico diz, é o beat box, forma de arte em que sons de bateria, instrumentos musicais, grooves de gravações, scratches e outros efeitos de DJs são simulados por voz, boca e cavidade nasal, sem o auxílio de outros equipamentos afora microfone e amplificador.
Entretanto, o paulistano do bairro do Campo Limpo foi mais longe. Além de ser um dos destacados representantes dessa arte, Fernandinho incorporou à técnica elementos de ritmos populares brasileiros, como o samba e o baião. O reconhecimento veio já no primeiro grupo de que fez parte, o Z’África Brasil. Esse trabalho serviu de vitrine para que vários artistas e produtores o convidassem a participar de projetos culturais. Ex-morador de rua, freqüentemente participa de eventos institucionais. Ultrapassando as barreiras comerciais do rap, gravou e se apresentou com músicos e cantores de vários gêneros, de Marisa Monte a Ivete Sangalo, passando por Lenine, Marcelo D2 e Gabriel o Pensador. No momento, prepara seu primeiro disco-solo e tem usado o loop station BOSS RC-20xl em shows e produções.
Como você usa o BOSS RC-20xl?
Minha idéia é mostrar peça por peça: bumbo, caixa, chimbal. Monto o ritmo no RC-20xl e, depois de construir os loops, faço um rap em cima daquilo. Posso até estabelecer uma base qualquer, como um raggamuffin ou um techno, e vir com um scratch. Ou reproduzir uma banda mesmo. Gravo as bases e improviso sobre elas.
Há alguma levada ou groove que seria impossível fazer sem o RC-20xl?
Muita gente gosta de samba. E uma das coisas que todos rapidamente identificam e apreciam é a cuíca. Então, inicio montando o surdo e, depois, vou colocando as outras peças. No fim, depois de construir tudo, quando o pessoal já está dançando, curtindo, faço a cuíca para surpreender ainda mais. O povo vai ao delírio. No techno, começo com uma linha de bumbo e, daí a pouco, vem o baixo. Gravo no pedal também. Vou introduzir isso no show do Marcelo D2. É bem interessante, por que quem não conhece o loop station acaba vendo as possibilidades dele. E o público gosta: “Essa idéia que você teve é muito bacana”.
Além de permitir que você faça algumas coisas mais complexas, o RC-20xl auxilia sua criatividade?
Sim, muito. Às vezes as pessoas contratam o Fernandinho Beat Box e querem um show de beat box de uma hora. Não há como fazer isso. Vou a festivais, por exemplo, e fico fazendo meu trabalho por meia hora sem parar. Mas, mesmo sendo uma coisa que cause impacto, o beat box é bem direto. Por mais que o artista tenha cartas na manga para uma performance, ele pode ficar cansativo. Com o loop station, não. Ele vai ser o meu parceiro, vai ficar ali ao meu lado e me ajuda a criar, além de me apresentar.








