ArtistasMichel Skava

Michel-skavaProdutor musical, arranjador, tecladista, compositor e programador, atuando no mercado fonográfico e publicitário, gravando com grandes produtores e produzindo nos grandes estúdios do país.

Além das trilhas para TV, teatro e curtas, tanto no Brasil quanto na Europa, África e Estados Unidos, também trabalhou com artistas como: Pepeu Gomes, Elliana Pittiman, Vanessa Jackson (vencedora da primeira edição do FAMA - Rede Globo), Afonso Nigro, Zé Henrique e Gabriel, Grupo Pixote, Raça Negra, Ângela Maria e mais recentemente o vencedor da primeira temporada do programa ÍDOLOS (SBT ), Leandro Lopes.

Conte um pouco sobre o seu primeiro contato com equipamentos Roland

Eu estudava piano desde os meus oito 8 de idade. O tempo foi passando e quando eu tinha 13 anos comecei a sentir curiosidade por teclados. Pedi ao meu pai que me comprasse um. Ele não entendia nada de teclados, mas como trabalhava no comércio, acabou conhecendo um rapaz que trabalhava na Roland. Esse cara tinha acabado de comprar um pra sua filha, mas parece que ela não estava se interessando muito. Meu pai acabou convencendo o cara a lhe vender esse teclado e o deu pra mim. Era um E-68, arranjador de cinco oitavas, com uma polifonia pequena e no máximo se misturavam dois timbres.

Pra mim aquilo era o máximo. Era muito mais leve que meu piano e eu podia levá-lo pra qualquer lugar da casa. Depois de um tempo, com uns 15 anos, na fase das bandas de garagem, já tocando com minha bandinha por aí, guardei grana e comprei um D-50 (definitivamente eu não sabia o que tinha nas mãos). Começou aí a minha paixão pelos teclados. Depois veio um JV-1000, XP-50, XP-30, XP-80 e não parei mais.

Hoje, em tudo que faço me utilizo de todo um setup Roland, seja programando, seja gravando, produzindo ou tocando nos shows.

Atualmente, quais são os equipamentos Roland que fazem parte do seu setup e por que você optou por estes modelos, exatamente?

• FANTOM-X8: É meu workstation. Nele controlo os outros teclados, edito, disparo meus samplres e faço minhas progamações. No meu FANTOM tenho 4 placas de expanssão: SRX-06 COMPLETE ORCHESTRA, SRX-07 ULTIMATE KEYS, SRX-09 WORLD COLLECTION e SRX-11 COMPLETE PIANO. A memória dele está expandida em 512MB e todas as minhas amostras ficam em um Compact Flash de 1GB.

• V-SYNTH: Esse exerce um papel muito importante dentro do meu setup. O V-SYNTH possui timbres ímpares, daqueles que quando você coloca numa faixa ou outra de um disco, marcam e despertam curiosidade em quem ouve. Pra mim, um dos grandes lançamentos dos últimos anos. Edito muitas amostras de sampler dentro dele com o auxílio da função VARIPHRASE. Toda onda tem total flexibilidade sem afetar afinação, sincronismo e qualidade do áudio. Em performances ao vivo, me divirto muito com o controle D-BEAM. Endereço à ele parâmetros COSM, PIT, TVA, entre outros. Esteticamente é incrível alguém te ver abaixando e levantando a mão "no nada" e causando um baita efeito nos timbres.

Outro grande atalho que uso para os osciladores é o PAD TIME TRIP. Uso muito nas gravações e em performances ao vivo o timbre “PAD the PAD (263)”. Esse timbre tem no seu MatrixCtrl, endereçado ao PAD TIME TRIP, um oscilador COSM FREQ e um COSM RESO. Esse timbre cria uma atmosfera abstrata...fantástico pra trabalhos de música eletrônica.

Eu tenho os dois cards do V-Synth: VC-1 D50 LINEAR SYNTHESIZER e VC-2 VOCAL DESIGNER. Em todos os meus trabalhos sempre há alguma coisa desses cards. Quando quero alcançar uma sonoridade vintage uso o VC-1 (synth bass, synth brass e o famoso Fantasia). Como já tive um D-50 uso esse card com uma certa nostalgia. Já em produções eletrônicas ou até mesmo em discos comerciais uso muito o VC-2, em particular "RB OXY VOICE (020)".

• SH-201: Esse é meu xodó, digamos assim. Sou extremamente frustrado por não ter um SH-101. Eu vinha já a algum tempo querendo um equipamento que tivesse síntese de fácil acesso, que fosse portátil e que tivesse um ar "revolver". Era o SH-201 e eu não tinha dúvida. Como nunca consegui achar um SH-101 pra comprar, na hora que vi esse lançamento foi como se alguém tivesse ouvido meus pedidos (risos). Ele tem um painel muito parecido com o daqueles sintetizadores analógicos clássicos. Pra quem já conhece esse papo de síntese é sair virando os botões. Todos os filtros, pit e tipos de onda estão na cara. Esse teclado tem uma sonoridade muito particular. Tem bastante punch. Trabalho muito com o OSC1 e o OSC2 ao mesmo tempo, em quintas (5 th) às vezes. A saída número 2 do FANTOM está sempre ligada à entrada de áudio do SH. Consigo assim alterar os áudios que estão saindo do FANTOM, criando novas atmosferas.

• JUNO-G: Como meu único workstation é o X-8, nunca pude deixar de levá-lo para ensaios e trabalhos rápidos. Com o JUNO-G isso acabou. Além de ter timbres internos muito bons, tem possibilidade de importar áudio junto ao Sequencer, possibilidade de utilizar uma placa SRX (no meu caso tenho uma SRX-11 instalada nele), esse teclado é muito leve. Foi uma alternativa incrível. Levo ele pra cima e pra baixo quando o FANTOM não se faz necessário.

Fora esses equipamentos mais novos,uso em gravações dois módulos JV-2080. Na minha casa ficam dois teclados que não saem de lá por nada: um JP-8000 e um JUNO-106 (é um orgulho pra mim ter um teclado como esse, que fez história na trajetória dos sintetizadores e foi usado em tantos álbuns de sucesso como Ray of Light – MADONNA). Esse disco resume o que foi e o que é o JUNO-106 e, por curiosidade, esse teclado tem a minha idade (risos), pois foi lançado em 1984.

Na sua opinião, qual o diferencial que estes produtos deram ao seu som?

Eu consegui com esses equipamentos criar uma identidade. Era o que eu buscava. Pra mim, louco por sintetizadores analógicos e timbres diferentes, esse setup só ajudou no meu crescimento profissional. Eu uso muito a palavra "possibilidades". Pra mim, em música, o que rege toda a história é essa palavra. Nos meus teclados tenho muito isso, muitas possibilidades.

Teclados como o FANTOM, o V-SYNTH, o SH-201 e o JUNO-G, além de causarem um impacto visual, por conta do seu look meio vintage, meio futurista, oferecem à seus usuários caminhos e formas de sonoridade infinitas. Posso dizer que conheço bem os equipos do mercado de hoje. Nada me impressiona tanto. Esses equipamentos me mantém atualizado, na ponta no que diz respeito à timbres. Os timbres andam sendo a marca registrada do meu trabalho. Os sons Roland tem grande participação no atual reconhecimento profissional que ando tendo.

Você faz parte dos grandes tecladistas da nova geração. Ultimamente, não temos tido grandes nomes surgindo nas teclas. Na sua opinião, por que é tão difícil surgir novos tecladistas? Faltam ídolos para os estudantes se espelharem?

Eu sou apaixonado por tecnologia de ponta. Sou um pesquisador de novidades do mercado e o que cada "equipo" pode me oferecer. Porém, estou sempre pesquisando e estudando como nosso instrumento evoluiu e como os músicos de antigamente chegavam ao máximo que essas máquinas ofereciam pra época. Se o Robert Moog não conhecesse os Theremins, dificilmente teria revolucionado o mundo da música com a invenção do Moog Modular.

Acho que o que inibe a aparição de novas referências nas teclas é justamente a falta de ousadia pra escolher caminhos novos. Mas ninguém cria o futuro sem conhecer o passado. Vejo os anos 80 como uma década mágica pros teclados. Sonoridades incríveis eram criadas a cada disco, a cada música e a cada artista novo que surgia. A época da revolução das máquinas. Chegaram a achar que instrumentos acústicos seriam substituídos pelos teclados. Nosso instrumento era a bola da vez. Dificilmente um cara da minha geração, da minha idade, cita nomes de grandes tecladistas dessa época, que equipos usavam e com que artistas trabalhavam.

Com a internet é tudo muito mais fácil. Nós jovens tecladistas precisamos ter um contato com o início do papo, do contrário, sempre estaremos pegando o bonde andando. É inovar com fundamento e não por modismo. Assim, com ousadia e conhecimento, o músico se destaca.

Conhecer o passado pra criar o futuro. Inovar é necessário. Em uma época onde parece que tudo já foi feito, que tudo já foi misturado, fica difícil imaginar uma forma de criar uma personalidade musical. Mas é possível e o caminho vem do jogo entre ousadia e possibilidades! Naquilo que achamos impossível podemos encontrar novas portas que nos levarão à caminhos diferentes. Com o passar do tempo ali, aquilo que era estranho e diferente se torna próximo e comum. Daí temos uma nova onda, um novo timbre e uma nova personalidade musical. Eu aposto e invisto nisso diariamente em todos os trabalhos que faço. Talvez o problema não seja falta de novos ídolos e sim falta de ousadia.

Se fosse pra deixar um toque seria: "Vamos abrir os olhos para o mundo no qual a tecnologia está nos colocando. Precisamos saber onde podemos chegar com isso tudo, mas a arma pra dominar isso talvez seja conhecer um pouco do passado. Com preconceito não se consegue nada em música e nem se chega a lugar algum com ela. Tudo é música , tudo funciona, tudo pode e tudo se mistura...é isso !!!"

Ouça aqui a música produzida por Michel Skava usando o Fantom-X8 e a placa SRX-09

Ouça neste link as audio-demos produzidas por Michel Skava para o SH-201

RolandBossCakewalkRodgersPrincipal