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SH-201 Sintetizador
Carlos Trilha teve seu primeiro contato com a música aos 3 anos de idade, com um raro órgão de madeira, fabricado pela Hering nos anos 60. Aos 9 anos, iniciou seus estudos de piano erudito. No começo dos anos 80, sua facilidade em aprender e seu interesse por sons diferentes logo redirecionaram seus movimentos em direção à música pop e à música eletrônica. Descobriu que os sons tão misteriosos que ele tanto se interessava ao ouvir seus discos preferidos do Kraftwerk, Vangelis e Jean-Michel Jarre, eram criados por "sintetizadores".
Em 1985, então com 15 anos, Trilha finalmente realizou seu sonho em adquirir um sintetizador, um Roland RS-202. Desde então, não parou mais. Neste mesmo ano, apresentou seu trabalho de música eletrônica, além de participar de diversas apresentações com bandas de rock da sua cidade. Em 1986, era tecladista da maior banda de rock de Santa Catarina, o Tubarão. Em 1989, foi convidado para integrar a banda de Léo Jaime e mudou-se para o Rio de Janeiro. No final de 1991, iniciou sua participação na banda de apoio da Legião Urbana, o que mudaria a sua vida. Sua afinidade musical com Renato Russo rendeu-lhe a produção dos CDs solo do líder da Legião.
Seu raro conhecimento em síntese e áudio digital logo foi percebido no meio carioca onde tornou-se um músico, produtor, arranjador e programador muito respeitado, trabalhando com grandes nomes da música pop como Marisa Monte, Lobão, e Ana Carolina. Atualmente é tecladista e programador da turnê Universo Particular de Marisa Monte, enquanto prepara para a estrada o seu projeto de música eletrônica e seu primeiro trabalho solo, Retrotech. Saiba mais em www.carlostrilha.com.br
Conte um pouco sobre o seu primeiro contato com equipamentos Roland
Eu tinha 11 anos quando visitei um amigo do colégio, e na casa dele estava um tio músico, tecladista, tocando um "strings" da Roland (RS-202) e me lembro, como se fosse hoje, de ter ficado absolutamente encantado com aquele som. Mal sabia que 3 anos depois aquele mesmo teclado seria meu. Depois disso fui fisgado por um JX-8P com PG-800 na casa de um outro colega. Daquele momento em diante fiquei com uma idéia fixa nesse instrumento. Só pensava nisso: JX-8P, JX-8P, JX-8P (risos).Como era muito difícil de encontrar algum disponível à venda no Brasil, acabei comprando um lançamento da Roland de 1986, o Alpha Juno – 2. Como eu já tinha um conhecimento básico de síntese, esse intrumento virou uma ferramenta muito poderosa e acabei me profissionalisando como tecladista naquele mesmo ano.
Atualmente, quais são os equipamentos Roland que fazem parte do seu setup e por que você optou por estes modelos, exatamente?
No meu set com a Marisa Monte, entre os vintages eu uso quatro instrumentos Roland: VK-7, Fantom X-7, SH-201 e V- Synth.
• VK-7: É meu órgão oficial. Lembro de ter entrado numa loja de teclados pra comprar um órgão e ter experimentado todos os modelos e marcas disponíveis e o VK-7 era o que tinha mais “som”, a textura mais agradável, o mehor drive, leslie, volume, presença, tudo. Além de um sub “animal” que só descobri na primeira vez que liguei-o num P.A. O som dos outros era esquelético perto dele. Acho que vou usar este instrumento o resto da minha vida.
• SH-201: Foi uma agradável surpresa que conheci no Japão. É um Synth muito simples com um som que é um “tijolo”. Comprei no mesmo dia e desde então virou meu brinquedinho preferido.
• FANTOM-X7: Este synth me conquistou de cara pela versatilidade e pelo som de piano, que adorei. Ainda estava usando muito pouco seus recursos ao vivo, mas quando estive em condições adversas na última tour na Ásia, ele se mostrou um excelente “segura todas”. Como uso muitos vintages, de vez em quando algum me deixa na mão e em todos esses momentos o FANTOM salvou o show, além da minha pele (risos). O pior era o engenheiro de som vir me dizer depois que "preferiu" o tal som substituto (risos).
• V-SYNTH XT: Eu fiquei doido quando ouvi o som do seu Vocoder. Logo tive uma idéia musical, e quando isso acontece (um som lhe inspirar música) não existe mais como você viver sem aquele instrumento. Desde então, além do Vocoder, uso seus recursos de síntese ao vivo. Seu filtro poderoso coloca o teatro pra "tremer", essa é a parte que mais gosto!
Na sua opinião, qual o diferencial que estes produtos deram ao seu som?
Eles sempre são “amigos”, são instrumentos que qualquer um consegue operar logo de cara. Seus sistemas tem a arquitetura muito bem montada e clara para o usuário, além de terem sempre uma livraria com os sons clássicos da história da síntese expostos de forma lógica. São intuitivos e principalmente: aguentam o "tranco" que a estrada exige.
Você acabou adquirindo um SH-201 quando estava com a Marisa Monte na turnê asiática. O SH-201 é justamente um projeto da Roland que busca "voltar ao passado", unindo as facilidades da tecnologia digital com a "pegada" de som dos antigos analógicos. O que lhe impressionou neste sintetizador?
Na verdade, essa volta ao "passado" pode ser chamada de volta ao "controle". O controle total da síntese é a melhor forma de nos expressarmos através de um sintetizador, pois este tipo de controle vira uma ferramenta muito poderosa na dinâmica da música, você pode passar de um som "bonzinho" para um "malvado", "surfando" nos controles em real time sem interrupção do som. E isso não se trata apenas em abrir e fechar o filtro, mas também buscar a forma de onda que se deseja, seus harmônicos, alterações de período, o tempo da mudança de fase, além das alterações diversas possíveis através do uso dos LFOs sincronizáveis. Assim pode-se chegar muito rápido ao som que está na sua mente, ou mesmo deixar que o acaso traga novidades para os seus ouvidos. Quando você precisa "navegar" em um sistema, o processo de criação do som fica burocrático e pouco musical. O SH-201 nos coloca de frente pra síntese subtrativa e seu painel é uma verdadeira aula. O fluxo do áudio está exposto e se entende o caminho do som. Isso deixa muito claro pra qualquer um, as funções ou as alterações que cada parâmetro causa. Mas o que mais me deixou impressionado, sem dúvida, foi a textura das formas de onda do SH. Esse foi o motivo principal da minha escolha, mas o peso do instrumento é tão impressionante quanto o som que ele faz. Ele pesa apenas 5kg.
Você tem um trabalho de música eletrônica, mesclando áudio e vídeo. Como surgiu essa idéia e quando será lançado seu primeiro DVD?
Na verdade eu já tive essa idéia há muito tempo, e como se sabe, isso não é novo. Kraftwerk, Philip Glass, Jarre, entre muitos outros, nos anos 70 já faziam isso. Em 2003 eu já tinha a maioria dessas composições (Retrotechs) prontinhas e mixadas em L/R. Neste ano eu comecei a fazer mixagens 5.1 para cinema (mixei a trilha de dois filmes) e acabei me animando a fazer versões 5.1 para o meu trabalho.
Porém esta novidade criou uma outra necessidade, já que os aparelhos disponíveis no mercado que reproduzem 5.1 são os DVDs: produzir um track de vídeo para as músicas. Experimentei na primeira delas e tomei gosto pela coisa, acabei produzindo sete vídeos e trabalhando profissionalmente como editor em dois documentários (risos), mas parei por aí. Não quero trabalhar profissionalmente com imagens e sim usá-las como ferramenta para realçar os elementos sonoros do meu trabalho.
Como demorei muito para finalizar os vídeos por conta de outros compromissos profissionais e tours pelo mundo a fora nesses últimos dois anos com a Marisa, acabei pedindo ajuda a profissionais do meio como a Alessandra Marfisa, que criou um vídeo simples e maravilhoso para uma das músicas, além de estar finalizando a arte de toda parte gráfica do trabalho, e a produtora REDCAFE que me auxiliará na finalização do projeto do DVD. Então meus planos mudaram (eu havia planejado não lançar nada em CD, somente DVD). Vou lançar o CD em setembro deste ano e o DVD sai finalmente em Dezembro.
Assista aqui um trecho da apresentação de Carlos Trilha no auditório Roland na Expomusic 2007
Ouça aqui a música produzida por Carlos Trilha com o FANTOM-X7, V-SYNTH XT e SH-201






